A experiência agroflorestal de Adão de Jesus e sua família

fevereiro 9, 2010

Agrovila Nova Esperança – Ouricuri – PE

Com 14 anos de idade, Adão de Jesus Oliveira começou a conhecer novas técnicas de tratar a terra e as plantas, ainda como estudante da Escola Rural de Ouricuri. Hoje com 32 anos, ele trabalha com agricultura familiar agroflorestal, apicultura, criação de animais e cultivos agroecológicos em vazante. Mora na comunidade da Agrovila Nova Esperança, em Ouricuri, Pernambuco, com sua esposa Fabiana, de 24 anos, e seus dois filhos, Fernando de 5 anos e Fernanda de 3 anos.

Adão desenvolveu uma estratégia de convivência com o Semiárido, que tem como base os princípios agroecológicos. As atividades desenvolvidas apresentam relações estreitas de trocas de energia e melhor aproveitamento de nutrientes. Assim, o esterco dos animais é utilizado na adubação dos roçados; os alimentos produzidos nos roçados são utilizados para alimentar a família e também os animais; as abelhas se integram ao ecossistema polinizando as plantas e produzindo alimento para família. Esses são apenas exemplos das múltiplas relações existentes no agroecosistema manejado pela família.

Dentro dessa lógica de observação da natureza a família percebeu que para conviver com o Semiárido é preciso estocar, já que em uma época do ano – no período chuvoso, se tem bastante forragem, água e alimentos. Dessa forma Adão faz silo de milho e sorgo, e feno da palha do feijão, palha do milho, de capins nativos e cultivados.

Guarda ainda o milho e o sorgo em grãos, que durante a seca será triturado e fornecido aos animais, junto com o silo e o feno. Essa prática permitiu que a família aumentasse o seu criatório e diminuísse as perdas com mortalidades. Para Adão, os animais bem alimentados adoecem menos.  Mesmo assim, quando algum animal é acometido por alguma enfermidade o tratamento é feito utilizando plantas da própria caatinga.

Além de forragem, a família estoca as sementes nativas que serão utilizadas no plantio seguinte, e os grãos que serão usados na alimentação da família. A água que fica guardada na cisterna de 16 mil litros é utilizada para beber e cozinhar. Já a água da outra cisterna de 52 mil litros é usada para irrigação das fruteiras e hortaliças da agrofloresta.

O cuidado com o solo e com a vegetação da caatinga também é outra prática adotada. Os plantios são feito em níveis, não se usa mais queimada e a roça é bastante diversificada com milho, feijão, guandu, palma, fruteiras e hortaliças. Percebendo que poderiam ir além, há três anos, Adão e sua família resolveram implantar uma área de agrofloresta, experiência que conheceram através das visitas de intercâmbio.

Em pleno Semiárido, Adão e sua família estão mostrando que é possível produzir mais e melhor, além de preservar a natureza. Adão diz que resolveu implantar uma agrofloresta, porque a vegetação da região já está bastante prejudicada, então, dessa forma, pode mostrar que é possível produzir conservando a caatinga. Eles sabem do importante papel que exercem na preservação do meio ambiente e na conscientização de outras famílias.

Além de cuidar do meio ambiente, Adão afirma que a alimentação e a renda da família melhoraram depois que ele passou a adotar essas técnicas de convivência, pois quem vive na região do Semiárido tem que buscar alternativas, e diz que com a agroecologia se produz mais tranquilo. Ele atribui os bons resultados alcançados à Associação de Apicultores e ao CAATINGA – Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não Governamentais -, que dão apoio e assistência técnica, construindo juntos novas alternativas para a produção.


A experiência da família de Cícero Justiniano

fevereiro 9, 2010

Sítio Barra – Remanso – BA

O Sítio Barra faz parte da Fazenda Induema, e está localizado no município de Remanso, estado da Bahia, a 38 quilômetros da cidade. João Cícero Justiniano Souza, conhecido por Cícero da Barra, junto a sua esposa Francisca da Silva Souza, e seus três filhos Jailma, Jailson e Ailton moram lá desde que nasceram. Cícero é o presidente da Associação de Fundo de Pasto dos Pequenos Produtores do Sítio Barra e faz parte da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso.

Tudo começou em 1997, quando o Sindicato lhe convidou para participar do curso de Formação de Agricultores para a Convivência com o Semiárido, realizado pelo IRPAA, Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada. Passou quinze dias em Juazeiro, junto a uma turma de pessoas que representavam vários estados do Nordeste, e, como ele mesmo diz, aprendendo a conviver com o Semiárido. Cícero lembra que tudo era novidade. Havia aulas práticas e teóricas e troca de experiências.

Durante o curso, conheceu várias plantas apropriadas ao Semiárido, uma delas foi a leucena. Aprendeu a fazer o feno e o silo. Trouxe sementes e, assim que chegou, plantou defronte a sua casa para experimentar. Hoje são 50 pés de leucena plantados para garantir a produção do feno. Mas só corta durante a lua crescente para cheia. Cícero diz que a planta cresce mais rápido, e a madeira que corta fica forte e brota mais galhos. Pode dar para os animais a folhagem verde ou fenada. Já possui uma forrageira.

Antes os animais só se alimentavam com palma ou capim verde, não conhecia o processo de fenação e silagem. Depois do curso, Cícero e sua esposa Francisca mantêm um banco de proteínas com glicerídea, leucena, sabiá, maniçoba, mandioca, entre outras. É uma forma de garantir para os animais uma alimentação nutritiva. Guarda desde 2008 passado um silo de capim para usar num momento de necessidade.

O capim aproveita bem. 1 tarefa, que são 25 braças, equivalente a 3 mil e 25 metros quadrados, ele faz 3 cortes durante o ano. 2 cortes ele faz no inverno para fenar e durante a seca alimentar os animais, e 1 corte passa na forrageira e dá direto para os animais. Dessa forma aumenta a produtividade.

Cícero participou de uma visita de intercâmbio na Paraíba, nos municípios de Campina Grande e Lagoa Seca. Conheceu a experiência do banco de sementes, chamada pelos paraibanos Sementes da Paixão. Estas sementes foram guardadas pelos seus antepassados e hoje preservadas pela nova geração que reproduz e cuida com dedicação. É uma semente pura. Cícero comenta que seu pai selecionava e guardava as sementes para não perder a plantação nas primeiras chuvas no ano seguinte.

Dessa visita trouxe a semente de glicerídea. Atualmente tem 20 pés plantados. Cícero conta que os animais não gostam de comer ela verde, só fenada. Futuramente pensa fazer cerca viva com a glicerídea, pois é fácil nascer de semente. E diz que a madeira dela é certa e já cortou para fazer galinheiro. Lembra que o importante é cultivar plantas que convivem no Semiárido.

A área da caatinga de fundo de pasto é de 860 hectares. Desses, foi cercado 200 hectares para garantir a preservação em 2005, durante o desenvolvimento do projeto Arranjos Produtivos, uma parceria do SASOP e CODEVASF. Diz que sempre preservou a caatinga porque foi um ensinamento do seu pai, mas as roças sempre faziam queimadas para plantar. Participando das capacitações, Cícero compreendeu que o que a terra gera se deixa de alimento para ela. São mais de 30 espécies de plantas nativas.

Da área de caatinga, 40 hectares é particular, onde Cícero cria abelhas. A comunidade participou de formações ministradas pelo SASOP. Foram distribuídas 40 caixas de abelhas entre as famílias. A família de Cícero iniciou com 5 caixas, e atualmente tem 15. A estimativa anual é de 450 litros de mel, que é usado para consumo da família e para comercialização, que faz através da Cooperativa Agropecuária do Pólo de Remanso – COAPRE.

Comprou uma centrífuga para facilitar o trabalho e garantir a qualidade.
Seu Cícero também é pedreiro e constrói cisternas desde 1997. E foi nessas construções que, em 2001, no município de Casa Nova, conheceu o terreiro de raspa que é um calçadão feito de cimento e serve para secar a raspa da mandioca, fazer feno e secar sementes. Trouxe a idéia e com recursos próprios fez um em seu quintal. A Associação adquiriu uma máquina de raspa, e junto à comunidade passaram a aproveitar tudo da mandioca. A maniva e as folhas trituram em separado, e da raiz se faz a raspa. Cícero também aproveita o terreiro para escorrer a água da chuva para a cisterna de enxurrada, que fica bem próxima ao terreiro.

Outra experiência importante para sua família é o sistema integrado de produção, conhecido por Mandala. É uma experiência que a Comissão Pastoral da Terra – CPT de Juazeiro – lhe apresentou em 2005. Na verdade, foi um desafio que Cícero e sua esposa Francisca aceitaram experimentar.

Receberam as instruções, o material para a construção e as mudas de frutas e verduras. Francisca conta que tudo acontece a partir de um reservatório de água de forma arredondada, que tem a capacidade para 16 mil litros. As plantações dos canteiros e fruteiras são feitas ao redor desse reservatório.
Os patos e peixes são responsáveis pela oxigenação e adubação da água, que garante o desenvolvimento das plantas.

Em 2009 foram plantados na mandala, mais 50 mudas de caju. Francisca diz que o objetivo é ter florada para as abelhas, e futuramente comercializar a polpa e a castanha. Mas chama a atenção que a Mandala, em primeiro lugar, é para garantir a segurança alimentar da família, pois além das frutas e verduras se alimentam de ovos dos patos e carne do peixe.

Desde que Cícero e sua família começaram a trabalhar com a agrobiodiversidade, que é toda essa diversidade de experiências desenvolvidas no sistema produtivo, junto ao fundo de pasto, têm o resultado mais garantido e percebem a natureza mais alegre e agradecida. É o que dizem sentir quando andam ao meio da plantação e da caatinga.


Projetos Educação com Pé no Sertão e Horta Pedagógica valorizam a convivência com o Semiárido

fevereiro 2, 2010

Curaçá – BA

Em 1997 o município de Curaçá desenvolveu uma experiência histórica no campo educacional, através do projeto Escola no Nordeste: Educação com Pé na Realidade Nordestina, para todos e com qualidade, cujo foco central foi a formação dos educadores/as a partir da proposta de educação para convivência e reorientação curricular. O projeto aconteceu através de uma parceria estabelecida entre a Prefeitura Municipal de Curaçá, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada-Irpaa, o Unicef e o Departamento de Ciências Humanas- UNEB/campus Juazeiro.

Como desdobramento desse processo, foi construída a proposta político-pedagógica do município, intitulada Educação com Pé no Chão do Sertão, baseada nas ações de convivência com o Semiárido. Além disso, um resultado significativo foi a elaboração de 4 livros paradidáticos, envolvendo temas como: brincadeiras infantis, cantigas de roda, causos, relação com o  meio ambiente e convivência com o Semiárido no município de Curaçá. Essa experiência foi uma das que mais contribuíram para a criação da Rede de Educação do Semiárido (Resab).

Sendo assim, muitas outras ações têm sido desencadeadas a partir desse processo. Neste sentido, outro projeto que está sendo desenvolvido desde julho/09 no distrito de São Bento, Curaçá, é o de Hortas Pedagógicas em escolas. Projeto este que está inserido em uma estrutura maior, o Mata Branca. O projeto Mata Branca atua nesta região desde 2007 e tem como principal objetivo contribuir com os municípios onde a caatinga se encontra devastada e em processo de desertificação, considerando todos os aspectos de preservação da fauna e da flora. Atualmente, abrange na Bahia os municípios de Curaçá, Contendas do Sincorá, Itatim e Jeremoabo.

No município de Curaçá, em função da extração desordenada da casca de angico (planta nativa da região com alto teor medicinal), bastante utilizada pelos artesãos que curtem o couro na própria região e áreas circunvizinhas. Busca a gestão sustentável do bioma caatinga, e juntamente às comunidades vislumbrando alternativas de preservação do bioma e incentivando o resgate expressões e formas culturais que de alguma forma tenham se perdido no tempo e com o tempo.

A implantação da horta pedagógica nas escolas traz um enfoque de caráter educativo, orientada pelos princípios da Agroecologia, com o intuito de traçar estratégias de desenvolvimento sustentável, respeitando as diversidades da região que incidam sobre a melhoria da qualidade de vida da população, com estímulo à produção de alimentos sadios.

O objetivo dessa experiência é tornar a escola um espaço de aprendizagem significativa, tendo como ponto de partida a identidade e a comunidade local, possibilitando criar e/ou ampliar o vinculo entre as pessoas e natureza, e estimulando relações mais sustentáveis. 
As atividades desenvolvidas incluem a formação continuada dos educadores/as, formação da comunidade local, construção de cisterna de produção, implantação das hortas e visitas nas escolas. Estas ações estão inseridas no projeto Mata Branca, em parceria com o IRPAA, e a Secretaria Municipal de Educação.

As dificuldades que estão sendo vivenciadas dizem respeito ao contexto da comunidade, na qual a escola está inserida. Infelizmente, ainda existe uma prática na localidade que é a retirada da casca do angico e a caça de animais silvestres de maneira predatória. Neste sentido, acredita-se que a sensibilização na escola e na comunidade provoque mudanças sobre a relação das pessoas com o meio ambiente.

Mas, as dificuldades não emperram a convocação de vontades para interferir nos processos da comunidade escolar e não escolar. A Horta Orgânica Pedagógica propicia o envolvimento da comunidade, a mudança na vida da escola, sendo um instrumento que possibilita às crianças o contato com os elementos do ambiente natural, estabelecer relações com a terra, desenvolver valores importantes de convivência, onde elas mesmas são responsáveis pelos resultados de aprendizagem, cuidando melhor do meio ambiente, das pessoas e de si mesma.

Com este trabalho, alunos/as, professores/as e comunidade passam a desenvolver o respeito pela natureza, o cuidado com o meio ambiente, criando uma cultura no hábito alimentar, na perspectiva de se produzir e consumir alimentos mais saudáveis, além de ser uma forma de validar a sabedoria dos agricultores e agricultoras. Conforme diz Juca, professor de Geografia da comunidade de São Bento: “Eu vejo um Nordeste viável onde tem de tudo um pouco, desde a criação de animais, mulheres e homens trabalhadoras e trabalhadores e muita água quando chove. O que falta é política de gerenciamento dessa água” .

Esta proposta é uma estratégia para discutir outras possibilidades de convivência com o meio ambiente natural e social, criando espaços de aprendizagens diversas, com possibilidades metodológicas multi e transdisciplinar, onde o contexto sociocultural dos  estudantes é o ponto de partida que direciona e conduz a ação.


Escola Rural de Massaroca: uma prática educativa contextualizada no sertão baiano

fevereiro 2, 2010

Massaroca – Juazeiro – BA

Há quatorze anos, produtores da região de Massaroca, distrito de Juazeiro, em pleno sertão baiano, tiveram a ousadia de investir numa escola que de fato trouxesse para os seus filhos o aprendizado a partir de sua realidade local. Para isso, e com apoio de produtores franceses, buscaram parcerias para que o sonho se tornasse real. Com essa intenção, surge  a ERUM – Escola Rural de Massaroca, em 1995.
 
Luiz de Senna, pedagogo brasileiro radicado na França,  grande colaborador da ERUM nos primeiros anos, dizia que o compromisso da Escola era trabalhar para os interesses de uma comunidade camponesa. A comunidade de Massaroca vem se organizando há  anos para sair de uma situação de carência e de ameaça de miséria, assim como se livrar do abandono em que foi deixada há muitas dezenas de anos.
 
A metodologia adotada pela Escola considera três momentos no processo educativo: observar a realidade, compreender a realidade e transformar a realidade. Dessa forma, a ERUM vem contribuindo para o desenvolvimento local das comunidades da região. Estudos de realidade são feitos anualmente, com os alunos do Fundamental I e II. Cada ano escolhe-se uma comunidade, para que os conteúdos da grade curricular sejam iniciados com base na realidade local.
 
A partir dos estudos de realidade, muitos projetos foram introduzidos, contribuindo, assim, com a qualidade de vida do povo da região. Projetos ligados a organização da juventude, saúde da mulher, organização comunitária, criação de galinhas, horta comunitária, manejo do rebanho, manejo da caatinga e muitos outros, hoje com grandes possibilidades de implementação de uma cooperativa de beneficiamento de produtos locais, tendo como ponto forte o umbu.
 
Ao longo desses anos, a trama sempre era montada em busca de benefícios diversos, tanto que a própria escolha do local de construção da escola foi ponto preponderante para atrair diversos benefícios para as comunidades, como a energia elétrica, água encanada, beneficiamento dos acessos comunitários, serviços ligados ao transporte estudantil, empregos no município, além de uma maior atenção por parte das instituições dos governos estadual e municipal no que diz respeito a capacitações e cursos de formações.
 
Uma grande preocupação da ERUM sempre foi trabalhar a questão do êxodo rural e formação de lideranças, discutindo possibilidades e potencialidades da região. Essas reflexões possibilitam um novo olhar sobre a área rural e, ao mesmo tempo, mostram a importância da implementação de novas tecnologias para o desenvolvimento local.

A ERUM sempre valorizou a cultura local e, por isso, introduz novos elementos, como as manifestações culturais, a exemplo do São Gonçalo, Corrida de Argolinha, Reizado, Dança da Jiboia, Espera de Jegue, entre outras, que são tratadas como conteúdos e conhecimentos atrelados aos blocos temáticos trabalhados no cotidiano da Escola e vivenciados nas comunidades. Da mesma forma trabalha modalidades desportivas universais, tanto é que o Atletismo e o Handebol são bem absorvidos pelos alunos e são referências para o município, devido às participações exitosas da ERUM em eventos esportivos oficiais em âmbito local e estadual.
 
A partir das modificações que surgem no território, aos poucos, os pais e alunos vão compreendendo o processo de modernização social e de mercado. Para a ex-aluna Marília Cíntia, da comunidade de Canoa, ao discutir essas modificações no seu lugar, diz que o meio social nem liberta e nem escraviza, as pessoas é que têm que se adaptar ao novo. Já Cosme Neres e Eduardo Nunes, também hoje ex-alunos, dizem que o mundo que eles veem é como ¬uma estrada, e nesta estrada tem vários caminhos, e cada pessoa tem o dever de escolher o caminho que vai seguir.
 
Para o professor e fundador da Escola, Antônio Martins, a experiência da ERUM é algo inusitado. Ele afirma que passou a compreender e a respeitar os sujeitos do processo educacional, com seus jeitos e modos, sem impor um conhecimento adquirido na Academia, mas aliado aos conhecimentos científico, filosófico e popular, no sentido de construir ou fazer emergir saberes.
 
Atrelado a isso, fica visível, quando Cosme, da comunidade de Caldeirão do Tibério, ex-aluno, diz que dentro da Escola os alunos vão perdendo a vergonha de falar e aprendem os conhecimentos de como viver melhor na terra em que nasceram. Isaias, da comunidade de Curral/Novo Jacaré, também ex-aluno, complementa que na ERUM aprendeu a arrumar outras maneiras de agir diante dos problemas
 
A professora da Educação de Jovens e Adultos (EJA),  Waldete Pereira do Nascimento,  ex-aluna da primeira turma, hoje parceira da ERUM, diz que o tempo que passou na ERUM foi como ter vivido a metade de sua vida, pois através da escola conseguiu se desenvolver, ficou a par de muita coisa real, um exemplo é a questão da chuva, que sempre pensou ser Deus quem a mandava.

Nesse mesmo sentido,  Isaias Flávio da Silva, aluno da primeira turma, em 1998, diz que as pessoas do lugar sempre tiveram muita fé em Deus e acreditavam que Deus iria melhorar a situação de seca no Sertão nordestino. Mas, ele acreditava que o que era preciso era  organização para enfrentar este problema, fazendo muitas aguadas. O que   precisavam era aprender a conviver com a seca e não trabalhar para acabar com ela, porque todo ano a seca acontece e que não é novidade para a região do Semiárido.
 
Para o ex-professor e fundador da ERUM, Edmerson dos Santos Reis, hoje professor da Universidade Estadual da Bahia (UNEB/Juazeiro), doutorando em Educação, diz que a ERUM foi, e continua sendo, uma grande escola de formação. As vivências, as trocas, as  aprendizagens, os embates, as perdas, os ganhos, as mais fraternas relações foram significativas, tanto nos momentos em que por lá esteve como aprendiz e professor, quanto como pessoa, afirmando que ali de fato viveu uma experiência educativa.


VII EnconASA será realizado de 22 a 26 de março de 2010

novembro 26, 2009

Viviane Brochardt – ASACom 
 
No último dia 19, a coordenação executiva da ASA reuniu-se em Recife para tratar, entre outros temas, da realização do VII  Encontro Nacional da ASA (EnconASA). Inicialmente previsto para acontecer neste mês de novembro, o Encontro foi adiado  para 22 a 26 de março de 2010 , período em que se comemora o Dia Mundial da Água. A mudança ocorreu porque a Univasf, mesmo após acordo estabelecido com a ASA, não pode ceder o espaço do Centro de Convenções da Universidade no período acertado.

“A data foi adiada, mas a cidade que acolherá o EnconASA  permanece Juazeiro da Bahia.”, afirma Cleusa Alves, coordenadora da ASA pelo estado da Bahia e integrante da comissão organizadora do Encontro. “Isso é estratégico para nós, pela discussão que faremos de contraposição de modelos. O modelo de desenvolvimento que queremos para o Semiárido e o modelo vigente, que vai na contramão do que a ASA sempre propôs. Juazeiro tem isso, de estar às margens do rio São Francisco, com toda a discussão sobre a transposição e sobre o modelo agroexportador.  Ao mesmo tempo, nas redondezas, temos várias experiências exitosas desenvolvidas pela agricultura familiar, muitas sobre a gestão democrática da água e sobre tecnologias descentralizadas de armazenamento da chuva. Conheceremos algumas durante o EnconASA , nas visitas de intercâmbios”, explica a coordenadora.

A mudança de data,  segundo Cleusa ,  não tira o brilho nem a força do EnconASA . “O Encontro vai acontecer durante a Semana da Água e isso é algo muito simbólico e de dimensões políticas. Os estados estão fortalecidos após os encontros estaduais e vamos para o Encontro Nacional  com muita alegria e mais disposição ainda para discutir a trajetória da ASA e lutar pelo Semiárido que acreditamos e que queremos”, explica.

Para a coordenadora da ASA pelo estado do Ceará,   Cristina do Nascimento, “é importante a integração do EnconASA  com as ações da  Semana da  Água”. Ela  acredita que  essa associação dará  peso às  ações que compõem a agenda política de grande parte das organizações da ASA.

Encontros preparatórios – Vários encontros preparatórios ao EnconASA  aconteceram em todo o Semiárido :  Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, encontros microrregionais, territoriais e os encontros estaduais. Só destes últimos, aproximadamente 1,3 mil pessoas participaram. Foi nos encontros estaduais que foram escolhidos os delegados e delegadas que irão para o EnconASA .

“Há muitas coisas em comum em todas as trajetórias estaduais rumo ao EnconASA : o esforço coletivo para avaliar a caminhada da ASA Brasil, o debate sobre os modelos de desenvolvimento nas regiões, a valorização da agricultura familiar e das experiências locais como base para o aprendizado coletivo”, avalia Luciano Silveira, coordenador da ASA Paraíba. “Além disso, em todos os eventos houve a preocupação de visibilizar na imprensa os resultados que os estados alcançaram, os trabalhos e a luta. Também percebemos diferentes formas de interlocução com a sociedade, através de cartas, documentos e atos públicos”, explica Silveira.

Agenda - Os ajustes necessários para  a realização do EnconASA  estão sendo feitos pelas comissões temáticas. Nesta quinta-feira (26), a comissão de metodologia se reúne em Salvador  e  durante  a  semana, as demais comissões também se encontram em diversas cidades da Bahia. Já no dia 10 de dezembro, a coordenação do evento estará reunida, em Feira de Santana, com os representantes de todas as comissões.


VII EnconASA será realizado em 2010

novembro 9, 2009

 O VII Encontro Nacional da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (EnconASA) foi adiado para março de 2010, passando a compor as comemorações da Semana da Água. Juazeiro permanece como a cidade sede do Encontro.

Inicialmente previsto para ocorrer de 16 a 20 de novembro  deste ano,  o EnconASA precisou ser adiado porque a Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), local onde aconteceria o evento, por razões internas,  não pode manter o acordo de ceder o espaço na data acordada.  Como a cidade de Juazeiro não dispõe de outras instalações que possam acomodar a contento um evento do porte do Enconasa,  coube a ASA a alternativa de prorrogar a realização do Encontro.

Todas as informações sobre o  VII Enconasa continuarão sendo divulgadas no blog   www.7enconasa.wordpress.com.


Encontro Nacional celebra os 10 anos da ASA e discute novas perspectivas de convivência com o Semiárido

novembro 9, 2009

O município baiano de Juazeiro sediará o VII EnconASA – Encontro Nacional da Articulação no  Semi-Árido Brasileiro, que acontecerá em março de 2010, como parte das comemorações da Semana da Água. Estão sendo esperadas cerca de 500 pessoas, vindas de todos os estados do Nordeste  e  de Minas Gerais.
 
Com o tema ASA – 10 Anos Construindo Futuro e Cidadania no Semiárido, o evento pretende celebrar os 10 anos da Articulação, além de avaliar e discutir as novas perspectivas da convivência com o Semiárido dentro do atual contexto sócio-político e econômico  do País. O Encontro  também será um espaço de debate sobre o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido  e suas duas estratégias: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e sobre outras experiências bem sucedidas que estão sendo desenvolvidas no Semiárido.
 
Durante o encontro, os participantes conhecerão experiências nas seguintes áreas: acesso à terra, acesso à água, segurança e soberania alimentar, economia popular e solidária, educação contextualizada, auto-organização e direito das mulheres e biodiversidade. O evento também contará com oficinas temáticas sobre os temas das visitas, mesas de debate e um painel sobre o futuro da ASA nos próximos anos.
 
Quem quiser também poderá conhecer mais sobre o Semiárido através da Feira de Sabores e Saberes,  que será realizada na orla  do rio São Francisco, onde cada estado  irá mostrar e comercializar seus produtos da agricultura familiar, fortalecendo a prática da  economia  solidária.