Troca de experiências fortalece organização das mulheres no Semiárido

Auto-organização e direito das mulheres
Gleiceani Nogueira – ASACom 
 

Mulheres de Casa Nova-BA geram renda com a produção de biscoitos e sequilhos

No município de Casa Nova, no semiárido baiano, seis mulheres vêm se destacando pela organização do trabalho e geração de trabalho e renda. Elas integram a Rede de Mulheres de Casa Nova e trabalham com o beneficiamento da mandioca, produzindo biscoitos, petas, sequilos e bolos. Com essa atividade, as mulheres conquistaram autonomia financeira, respeito da comunidade e da própria família e, acima de tudo, confiança para lutar por seus direitos.

Já na comunidade de Santo Antônio, no Rio Grande do Norte, um grupo de mulheres luta para comercializar seus produtos e obter renda, assim como acontece com as produtoras da Bahia. “Já há mulheres que trabalham com a agricultura ou o artesanato. A nossa dificuldade, no momento, é a falta de um local fixo para trabalhar e gerar renda, mas, esperamos superar isso”, afirma a agricultora e integrante do Sindicato dos/as Trabalhadores/as Rurais de Santo Antônio, Telma Maria de Lima.

No final deste mês, integrantes desses dois grupos, separados geograficamente, mas com o mesmo sonho, terão a oportunidade de se encontrar e trocar experiência. Telma Maria, que vai participar do VII Encontro Nacional da ASA (EnconASA), de 22 a 26 de março, em Juazeiro/BA, acredita que esse momento será de grande importância para o trabalho que ela desenvolve na sua comunidade. “Por enquanto, o sindicato não tem um trabalho específico com as mulheres, mas, este ano, pretendemos fazer com que sejam desenvolvidos outros projetos. E, com certeza, a experiência de outros grupos de mulheres, como as de Casa Nova, vão contribuir com o nosso trabalho”, afirma a agricultora.

A visita de Telma à Rede de Mulheres de Casa Nova faz parte da programação do VII EnconASA. Além desse intercâmbio, que ocorrerá no dia 24 de março, ela e outras mulheres do Semiárido terão a oportunidade de debater o tema Auto-organização e direito das mulheres na oficina, que será realizada no dia 25.

Para a coordenadora da ASA pelo estado de Minas Gerais, Valquíria Lima, debater o tema das mulheres no Encontro Nacional da Articulação significa debater a caminhada dos 10 anos da rede. “Todas as nossas ações, programas e reflexões voltados para o desenvolvimento do Semiárido partem da perspectiva de pensar o papel da mulher nesse processo e na visibilidade da sua ação”, diz Valquíria. “Os programas que a gente vem executando, seja o P1MC [Programa Um Milhão de Cisternas] ou o P1+2 [Programa Uma Terra e Duas Águas], estão diretamente ligados à vida das mulheres. O impacto que eles [os programas] causam na comunidade ou na família também se reflete na vida delas”, complementa a coordenadora.

Apesar da inserção do tema das mulheres na discussão política de um projeto alternativo para o Semiárido, Valquíria diz que é preciso fortalecer e qualificar os espaços de formação, e promover cada vez mais a troca de experiências entre as mulheres. “Essa dimensão de que as mulheres possam estar se auto-organizando ainda precisa ser bastante fortalecida. Nesses próximos 10 anos ou mais da ASA a gente tem que ter isso como uma prioridade”, ressalta a coordenadora da ASA Minas.

Conquista
A chegada da cisterna do P1MC na vida das famílias do Semiárido trouxe várias melhorias, principalmente, para as mulheres. Uma delas é a maior disponibilidade de tempo para elas se dedicarem a outras atividades ou até mesmo para descansar.

“A mulheres do Semiárido acordavam muito cedo para buscar água. Eu posso dizer isso com muita segurança porque fui uma delas. Já andei até seis quilômetros para pegar água pra beber e a gente tinha que acordar muito cedo. E depois fazer a alimentação para, em seguida, cuidar do roçado. Hoje não, a gente pode acordar um pouco mais tarde porque a nossa água para beber e cozinhar está dentro da nossa própria casa, colhida do nosso próprio telhado na hora que chove. Isso pra gente é uma conquista muito grande. Só quem passou pela situação de não ter água e agora tem é que sabe o tamanho do ganho que foi”, afirma a coordenadora da ASA pelo estado de Sergipe, Maria José.

Confira abaixo a sistematização das duas experiências de mulheres que serão visitadas no VII EnconASA:

Gênero e geração de renda – A experiência da Rede de Mulheres com beneficiamento da mandioca

Escola Senhor do Bonfim/Pastoral da Mulher  – espaço de conquista para as mulheres marginalizadas

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